November 17, 2009

Pensamento Cristão Contemporâneo - 1

"Irmãos, preparai-vos! O marxismo não morreu! Marx ainda vive, hoje falei com ele e até tirei uma foto (obs: está desempregado!)."




Olá camaradas!







Um anjo morre no céu toda vez que usamos essa palavra com forte conotação política na igreja. "A história demonstra"que hereges malditos utilizam reiteradamente termos satânicos como “mais valia”, “propriedade dos meios de produção” e o pior de todos: “proletariado” (que os iluminados afirmam derivar dos termos pró = a favor; letal = relacionado a morte e viado = o termo de baixo calão direcionado aos perversos, ou seja o significado do termo é “perversos a favor da morte”, coisa do inimigo!). Também existem os que se arrepiam e acordam de madrugada gritando quando um “irmão” profana o templo dizendo “injustiça”, “distribuição de renda”, “reforma agrária”. Não pode vir nada de bom disso. Nenhum argumento é digno de consideração quando vem de alguém que use tais termos. Na Igreja, nem jumentos nem pedras falam, falaram ou falarão. Os únicos “com voz” são os puros feitos à imagem e semelhança dos seres perfeitos das Escrituras: Abraão que nunca mentiu, Davi que jamais adulterou e matou. Do lado de fora da Igreja (queimando no inferno preferivelmente) os arruaceiros: o primeiro é Marthin Luther King. Preto, pobre, adúltero e perturbador da ordem. Gandhi (que muitos afirmam que era um tremendo putanheiro), hindu adorador de imagens satânicas e outras coisas terríveis, além de ser um desrespeitador da monarquia inglesa. Che Guevara, Lamarca, etc e tal, vermelhinhos do capeta, não precisa nem falar o que fizeram.

Muito embora Jesus tenha falado claramente que o reino Dele não é deste mundo, o ideal Aristotélico-Tomista vem regendo o pensamento cristão desde a era medieval. Se há um líder o poder foi concedido por Deus de tal maneira que contrariar o líder é contrariar o próprio Deus. Adoramos como Igreja o poder antes de mais nada. Não cabe nem ao menos o julgamento das ações do poder secular porque tudo é justo, tudo é lindo, tudo é desígnio de Deus. Nesse prisma, as injustiças são provações que temos que passar como povo de Deus e o povo que não é de Deus que se dane! Nós (os santos lavados com a brancura de vanish) estamos aprendendo e eles estão colhendo o mal que plantaram. Não há espaço nem ao menos para falar de luta: cristão não luta, se submete ao santo poder. Tem que ser carneirinho bem branquinho, não pode ter cocô enroscado na lã nem mesmo naquela mais próxima do rabo...

Jesus Cristo é nosso maior exemplo: nunca contestou, apontava o dedo apenas para os pecadores (os fiéis que não andavam na linha), jamais denunciou injustiça, estava todos os dias na sinagoga pregando (uma benção), não foi pobre (porque isso é pecado), participava da marcha por ele mesmo e terminou seus dias subindo ao céu assim de boa, após ser entronizado no Gólgota.

Doug

November 9, 2009

Cada um no seu quadrado...

Dedicado ao Jonathan, Vinicius, Douglas e Samuel. Amigos que, não obstante compartilharem diferentes opiniões sobre Deus, são contra o etiquetamento mencionado no texto.


Esse texto é uma crítica as "novas" ideologias calvinistas e ateístas.


O belo texto do Vinicius revela a grande tristeza de nossos dias. Nossa experiência com o sagrado se tornou dominical e vazia.


Quando pensamos em missão como algo relacional e redentor somos classificados como esquerdistas. Não entendo o porquê desta etiquetagem.


Para os conservadores somos liberais. Para os liberais somos conservadores. Para os novos ateístas somos seres menos evoluídos. Para os evangelicais somos radicais. Isso nunca termina. Um reducionismo louvado por uma modernidade que, não contente em classificar seres humanos, tenta limitar Deus a uma teoria teológica.


Os Decadentes dizem não a este tipo de minimalismo.


Um exemplo atual desse minimalismo é o de grupos que que se consideram teologicamente reformados. Eu particularmente gosto da Reforma, pois ela resgatou princípios que haviam sido desgastados pelo Cristianismo Institucional da Igreja Católica. A reforma também contextualizou o Cristianismo nas sociedades modernas, resolveu muitos dos problemas da época, mas não todos. Na sociedade plural em que vivemos não dá pra explicar tudo com cinco pontos ou com quatro leis espirituais!


Talvez a idéia acima não tenha ficado clara, então vamos ver um exemplo prático disso. A questão soteriológica reformada é formulada com base no pensamento jurídico. Não é preciso estudar cinco anos de Direito para saber que isso não é suficiente. Infelizmente eu estudei cinco anos e não demorou pra perceber que esse argumento é muito superficial. Parece que os "jovens" reformados não se renovaram muito nessa questão. Uma explicação prática desse tipo de teologia da Salvação é a seguinte:


- quando você morrer vai ter um julgamento (imagine o exemplo clássico do tribunal do júri, principalmente aquele dos filmes americanos).


- você é culpado e do teu lado tem um jesus que é teu advogado.


- do outro lado do tribunal tem o promotor, ou seja o diabo (que segundo alguns pastores vai mostrar um filme da sua vida - o diabo não contente com sua profissão jurídica resolveu fazer um curso de cinema e filmar sua autobiografia).


- o juiz é deus, que na visão conservadora tem preferência por europeus (principalmente os Suiços) e despreza os pobres, negros, latinos, muculmanos, hindus, etc.


- o resultado é um tanto inusitado, o advogado assume o crime, mas somente os crimes dos eleitos. É que deus na verdade tinha uma decreto escondido, onde tinha a lista dos eleitos. Aí você é salvo, ou não.


Simples assim.

Isso responde todas as suas perguntas?

Não!


Eu acredito que todos somos culpados (Chesterton mesmo disso que essa é a única parte da teologia que pode ser provada empiricamente). Podemos até dizer que a morte de Cristo têm um aspecto jurídico (porque essa é uma analogia que nós entendemos) mas ela vai muito além disso. Não dá pra adaptar a realidade divina numa realidade jurídica criada por homens. Como Don Fairbairn diz no livro Grace and Christology: “To speak of salvation merely as a matter of legal status before God or as forgiveness of sins alone is to skirt the truth that neither God nor human beings are primarily juridical in nature. If we are to be fully faithful to the message of Christ, we must see the link between redeemed humanity and God in other ways as well as these.”


A idéia neocalvinista de eleição ainda é fechada a um sistema de pontos, um sistema geométrico. Acredito que há sim uma eleição, mas como disse Barth, uma eleicão onde Deus tomou sobre si a condenação, a fim de abraçar a todos na sua eleição da graça (Kirchelische Dogmatik II/2 parágrafo 33). Simone Weil deu um exemplo sobre a cruz que ainda me fascina. Ela não encerrou o assunto num sistema fechado, mas exemplifica dizendo que a cruz é uma alavanca onde Deus tem que descer pra que a gente possa subir.


Estou cansado desse cristianismo sádico determinista. Parece que há um sentimento sádico escondido nesses cristão mais conservadores e antirevolucionários. Que prazer estranho este de querer queimar pessoas que a gente não gosta. Mas como sempre a elite, autoconsiderada eleita, pinta quem não gosta de vermelho. Aliás, não foi isso que a IPB fez durante a ditadura? Nada de novo debaixo do sol. Felizmente o espírito sopra aonde quer (Jo 3:8) não aonde alguns querem.


Sou contra rótulos, mas entendo aqueles que procuram conforto dentro de suas cavernas. Cada um no seu quadrado, onde tudo é explicado pelo lógica cartesiana. É muito mais fácil viver com um conjunto de verdades “reformadas” ou ateístas, porque elas não propõem nada de novo. Os jovens “reformados” propõem que os eleitos devem sobreviver e liderar os mais fracos. Os novos ateístas acham que os mais evoluídos devem liderar os religiosos. Ambos perpetuam uma ideologia de dominação (e.g. Kuyper influenciou o apartheid e Hitchens apoiou a guerra no Iraque).


Quem não aceita rótulo acaba sem proteção, mas ainda assim é etiquetado como moderado. Já escutei que os moderados escolhem o que querem acreditar, penso que é exatamente o contrário. Não ser restrito a apenas uma ideologia apresenta desafios ainda maiores. Mas estes livres, verdadeiramente livres pensadores, acabam por levar pedradas de todos os lados. Prefiro assim. Creio num Deus que é amor. Fui chamado e sou desafiado a ser livre, e me alegro na comunhão em Cristo e através de Cristo com meus irmãos decadentes.


Espero que vocês entendam o vídeo.



Graça e paz


Thiago


November 7, 2009

O Pecado das Grandes Cidades II

A coisa mais estranha que os autores de "os decadentes" têm é essa espécie de inconsciente comum que faz com que tenhamos preocupações e sentimentos muito parecidos quase ao mesmo tempo, sem que tivéssemos conversado antes a respeito...

Na mesma linha das postagens anteriores, tem vindo a mim nos últimos tempos uma sensação de desqualificação do espírito humano gerada por todo essa tecnocracia dominante. Não ocorre apenas ficarmos limitados e privados de liberdade, enquanto seres humanos, mas nossa própria natureza sofre um gradual processo de destruição.

Existem aqueles problemas óbvios: destruição mundial imposta pelo homem com o aquecimento global, deficiência na produção e distribuição de alimentos, ditadura do capital especulativo descolado da produção e do mundo real, alienação da grande massa através do modo de vida consumista, mediocridade e ignorância dos detentores de poder, etc. Não quero falar sobre essas coisas, mas sim observar porque não somos dados de uma tabela ou amontoado de células governadas pela bioquímica. Ainda que se isso fosse verdade já teríamos problemas mais do que suficientes para a destruição da espécie humana. A questão vai além e diz respeito à totalidade do homem enquanto Criatura, aquela vinda do pó da terra e movida pelo sopro do Espírito.

O homem precisa da natureza para se reconhecer, firmar sua identidade, criar valores que lhe são próprios. Quando vejo as árvores, os pássaros e a terra da qual retiro meu alimento é que percebo que sou homem. Pelo contrário, no limite de um mundo tomado completamente pela tecnologia, não há condições de auto-reconhecimento. É impossível ver-se como imagem e semelhança Divina quando não há espelhos em volta. Ora, os espelhos que exibem tal imagem estão na Criação. Assim, a humanidade não precisa Dela apenas para sobrevivência biológica, mas para sua própria existência espiritual. Pois, se o espírito não faz parte da vida, sua (não) existência não faz diferença.

A natureza reflete tanto beleza quanto violência. Ela reflete transcendência assim como sangrenta selvageria. A perfeição na organização do universo, a beleza dos oceanos, de uma flor, do pôr do sol ou o carinho de um bichinho de estimação, são todos componentes do sublime da Criação. Este estado convive com as guerras naturais entre espécies, famílias, candidatos a companheiros das fêmeas, etc. Beleza e violência convivem juntas e compõem a Criação, espelho da nossa condição divina e caída, destruída e redimida. E ainda, com um pouco mais de atenção vê-se que a Graça torna a violência na natureza algo belo e destrói barreiras impostas pelo mundo carente do Éden, de onde segue que transcendência e selvageria convivem como uma só.

Assim, uma visão reducionista a respeito do homem pode tornar-se repentinamente um louvor à plenitude da Criação, apenas com o despertar da percepção humana sobre aquilo em seu entorno. Pode-se dizer: “Veja só, a felicidade é só um amontoado de sinais cerebrais na região X!”; ou: “Belíssimo! Quando ficamos felizes acontece algo na região X !”.

Nada disso é novidade na humanidade. Muitas culturas na história têm ou já tiveram um grande respeito existencial diante da natureza. Muitos daqueles que “já tiveram” foram destruídos por aqueles que não tem respeito algum. Finalmente, comecei a ler esses dias o “Admirável Mundo Novo” e ri muito. A realidade do século XXI está toda lá, como uma profecia sendo cumprida todos os dias, basta abrir e ler.

Para terminar gostaria de manifestar o seguinte: não sinto que os cristãos protestantes brasileiros, em geral, estejam atentos ao que é realmente relevante hoje. Poucos parecem ter a sensibilidade demonstrada pelo Ellul, por exemplo, a respeito da sociedade tecnológica. Muitos têm preconceitos marcados por birras ideológicas que não os permitem direcionar seu conservadorismo para os pobres, excluídos e males inerentes à destruição do planeta e do espírito (vide, por exemplo, o texto “missões em crise” em jovemref.blogspot.com ). Outros conseguem dedicar sua pregação a temas absurdamente estranhos a um mundo próximo do desaparecimento. O problema é que não se trata mais de uma questão ideológica, mas sim de pragmatismo, obviedade e até objetividade científica: Este modelo de sociedade é excludente, assassino e serve à destruição do ser humano e da vida na terra.

lembrete

O blog "Bilhetes e afins" do qual participo continua agradabílissimo, sensível e poético. O conteúdo é leve, inteligente e tem ótimo visual para leitura.

October 31, 2009

Dia da Reforma

Ultimamente tenho explorado bastante a nova corrente do chamado Novo Ateísmo. Há tempos não via tantos ateístas proclamando e defendendo o que acreditam. Ainda não li os livros que estão na moda mas seguindo o conselho de um amigo ateu vi alguns vídeos.

A maioria dos videos mostram debates entre ateístas e evangélicos conservadores, mas há alguns bons teólogos também. Pra quem quiser saber sobre o Novo Ateísmo pode conferir a série the Four Horsemen (uma analogia ao apocalipse) que mostra os quatro "pensadores" mais influentes dessa corrente (Christopher Hitchens, Richard Dawkins, Sam Harris e Daniel Dennett).

Minha opinião sobre o tema é que estes "pensadores" (coloco o termo entre aspas pois o mais influente é um jornalista que muitos adeptos dessa nova corrente consideram como filósofo) tem boas perguntas, mas nenhuma resposta. Algumas das questões são modernas e na minha opinião ultrapassadas, mas de qualquer forma, isso tem voltado à tona agora e acho que devemos nos informar sobre isso.

Particularmente temo pelo desenvolvimento dessas teorias, não pelo ataque delas a religião, mas pela forma como vêem o ser humano. Hitchens prefere usar o termo Primata Evoluído no lugar de seres humanos e diz que os terroristas perdem a qualidade de ser humano. Logo podemos fazer o que quisermos com os que já não são mais humanos, como fazer uma guerra no Iraque, a qual ele apoiou. E ele vai além dizendo que nós devmos colocar nosso sistema de valores acima dos sistema de valores dos menos evoluídos, aqueles que ainda acreditam em Deus, Javé ou Allah. Sam Harris diz por exemplo que nós devemos ser intelectualmente intolerantes com qualquer forma de religião. Por todos os lados a ciência é colocada como fonte de liberdade, o que certamente me agrada (vide último post sobre tecnologia).

O segundo vídeo de minha série é, portanto, um debate entre Alister McGrath e Christopher Hitchens:


O video completo pode ser visto em:

Tem muito mais na web sobre o tema, o último debate que eu vi foi entre Frank Turek e Hitchens (muito bom também). Creio que ninguém vai se converter ao teísmo ou ateísmo depois de um debate, mas vale a pena ver o que está sendo bastante discutido na Europa e Estados Unidos porque logo a moda chega no Brasil.

*Devo pedir desculpas ao Xoyo por marcar o post como Filosofia, mas não achei outro marcador melhor.

October 30, 2009

The Betrayal of Technology

Faz tempo que não escrevo.
Muita coisa aconteceu, casei, mudei de país, etc.
Isso também pouco interessa.

Vou mandar agora uma trilogia de videos que tem chamado a minha atenção.
O primeiro foi inspirado pelos textos do Vinicius.
Um documentário do Jaques Ellul chamado the Betrayal of Technology.
Clique aqui para assistir ou fazer o download do video.
Quem não conseguir pode ver a versão disponível no Youtube.


Algumas frases que se destacam:

"Tecnologia e liberdade são contraditórios"

"As pessoas sempre respeitam o que é sagrado em uma sociedade.O que é assustador em nossa sociedade é que a tecnologia destruiu tudo que sempre foi considerado sagrado, por exemplo, a natureza. A sociedade então passou a aceitar a tecnologia como algo sagrado. Um exeplo disso é quando em manifestações carros são queimados. Isso é um escândalo porque um objeto sagrado foi destruído".

(Se compararmos isso com as queimadas para pasto no Brasil o exemplo fica ainda mais terrível. Porque queimadas aparecem todos os dias no noticiário, mas imaginem se o pátio da GM pegasse fogo, aí sim veríamos lágrimas.)

"Podemos comparar a sociedade tecnologica com a história de Esaú. Esaú estava com fome e estava disposto a desistir das bençãos e promessas de Deuspor um prato de lentilhas.Da mesma forma a sociedade moderna está disposta a trocar sua independência por algumas lentilhas tecnológicas."

October 21, 2009

Racionalismo é uma conquista do Iluminismo?

Ora, uma coisa é acreditar segundo o argumento de autoridade, outra coisa é o argumento de razão. Aceitar a autoridade alheia é grandemente tranquilo, e não dá trabalho. Se lhe agrada esse meio de estudo, poderá ler o que grandes e inspirados homens disseram comentando o assunto. E o fizeram por entender útil e necessário para os que sabem pouco, considerando que a salvação podia parecer difícil para os que possuem inteligência mais rude e menos capaz. Porque estes de mente menos capaz, se tentarem alcançar a verdade com suas próprias inteligências, seriam facilmente enganados por argumentos falsos, caindo assim em doutrinas perigosas e erradas, e dificilmente conseguiriam sair do erro. A estes é utilíssimo que se atenham à autoridade dos homens sábios e agindo de acordo com os ensinamentos. Se você acha mais seguro esse argumento de autoridade, não me oponho, e até aprovo muito.
Mas, se quer manter o desejo antes afirmado, de entender a verdade pelo argumento da razão, e assim chegar a se convencer, deverá tolerar pacientemente toda a seqüência demorada que leva a um raciocínio correto e capaz de chegar à verdade de um modo especificamente racional, ou seja, a razão verdadeira. Não apenas verdadeira, mas certa, e livre de toda a aparência de falsidade. Se é que um homem que não deseja a inverdade ou a falsidade pode chegar ali por outro modo diferente.

-Sobre a potencialidade da alma, Santo Agostinho, no ano de 388 d.C.

September 3, 2009

Sobre a nova ortodoxia...

Às vezes eu penso que a ortografia e a ortodoxia são muito parecidas, pois sempre as usamos para corrigir os outros, enquanto que nós mesmos sempre deixamos escapar uma ou outra coisinha “errada”... No fim ainda damos uma desculpa esfarrapada “mas você entendeu o que eu quis dizer, não é mesmo?”