
Acho que esse é o meu primeiro post sobre filmes e já adianto que não sou nenhum especialista, nem sou de fazer analises profundas. Minha última aquisição foi o Gift Set do Beavis e Butt-Head então não esperem muito dessa resenha atrasada. Ano passado assisti vários filmes do Spike Jonze, e era pra eu ter escrito naquela época, mas não tive tempo e ficou pra essas férias. Enfim, o Spike Jonze é um dos diretores mais versáteis que eu conheço e um dos que eu mais aprecio. Acho que os primeiros vídeos que eu vi dele foram os vídeos de skate, Blind - Video Days e Girl – Mouse. Na mesma época ela já havia dirigido um monte de Clipes excelentes, como Buddy Holly do Weezer e Sabotage do Beastie Boys. Os filmes que ele dirigiu eu demorei mais pra assistir.
Os longas que ele dirigiu foram: Being John Malkovich, Adaptation e Where the Wild Things Are. Por ser versátil, ele poderia se perder misturando pop art com cinema, mas isso não acontece. Os personagens dos filmes são, na minha opinião, bastante complexos. A forma como eles expressam sentimentos como ansiedade, medo e raiva se aproxima muito da realidade. Basta ver as atuações de John Cusack (em Being John Malkovich), Nicolas Cage (em Adaptation) e dos monstros (em Where the Wild Things Are) pra perceber isso. Os longas que Jonze produziu são criativos e profundos ao mesmo tempo em que nos fazem rir de nossa própria condição. Apesar disso, Jonze não perdeu o lado despojado skatista e também criou e produziu a série Jackass.
Outra vertente de Jonze é a recente produção de filmes sobre infância, ou sobre histórias infantis. Tais filmes não são necessariamente voltados ao public0 infantil, mas a base das histórias é. Em Where the Wild Things Are Max é uma criança sozinha e triste. Nosso saudosismo muitas vezes nos impede de ver que também há sofrimento na infância, e isso é uma forma de preparação para a vida adulta. Where the Wild Things Are revela a fase onde a criança descobre que não é mais rei ou rainha do mundo, porém, ela continua sendo amada. É uma relação de amor sem necessária retribuição. Esse contraste de uma relação de um ser mais egoísta e outro com um amor incondicional frequentemente ilustrada na relação pais e filhos, mas também ocorrer entre namorados. E essa foi a sacada de Jonze no curta I’m Here (se quiserem assistir o video clique aqui). O curta parece simples e é, de fato, baseado num conto chamado The Giving Tree (aqui está o link pra quem quiser assistir no youtube: The Giving Tree).
The Giving Tree é uma história extremamente simples e ao mesmo tempo profunda (pelo menos eu achei). O roteiro é sobre um garoto e uma árvore. Ambos adoravam estar juntos, mas o garoto, cresce e apenas usa a árvore pro seu bem próprio. No fim a árvore perde tudo o que tem, mas ainda assim encontra felicidade em se doar ao menino. Em I’m Here essa ideia de doação e graça é demonstrada num relacionamento “adulto” e adaptada num contexto mais moderno, mas a essência é a mesma.
Em minha opinião, o mais incrível dessas estórias é que, por mais que possamos nos identificar mais com um personagem, também nos vemos retratados em outros. De certa forma, todos nós vivemos essa relação dúbia de doação e egoísmo. Achei uma citação que descreve bem significado do conto The Giving Tree. Ben Jackson (professor de Estudos Religiosos da Universidade de Stanford) explica: “Is this a sad tale? Well, it is sad in the same way that life is depressing. We are all needy, and, if we are lucky and any good, we grow old using others and getting used up. Tears fall in our lives like leaves from a tree. Our finitude is not something to be regretted or despised, however; it is what makes giving (and receiving) possible. The more you blame the boy, the more you have to fault human existence. The more you blame the tree, the more you have to fault the very idea of parenting. Should the tree's giving be contingent on the boy's gratitude? If it were, if fathers and mothers waited on reciprocity before caring for their young, then we would all be doomed”. Tudo isso pra dizer apenas que vale a pena assistir os trabalhos de Spike Jonze.
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