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October 21, 2009

Racionalismo é uma conquista do Iluminismo?

Ora, uma coisa é acreditar segundo o argumento de autoridade, outra coisa é o argumento de razão. Aceitar a autoridade alheia é grandemente tranquilo, e não dá trabalho. Se lhe agrada esse meio de estudo, poderá ler o que grandes e inspirados homens disseram comentando o assunto. E o fizeram por entender útil e necessário para os que sabem pouco, considerando que a salvação podia parecer difícil para os que possuem inteligência mais rude e menos capaz. Porque estes de mente menos capaz, se tentarem alcançar a verdade com suas próprias inteligências, seriam facilmente enganados por argumentos falsos, caindo assim em doutrinas perigosas e erradas, e dificilmente conseguiriam sair do erro. A estes é utilíssimo que se atenham à autoridade dos homens sábios e agindo de acordo com os ensinamentos. Se você acha mais seguro esse argumento de autoridade, não me oponho, e até aprovo muito.
Mas, se quer manter o desejo antes afirmado, de entender a verdade pelo argumento da razão, e assim chegar a se convencer, deverá tolerar pacientemente toda a seqüência demorada que leva a um raciocínio correto e capaz de chegar à verdade de um modo especificamente racional, ou seja, a razão verdadeira. Não apenas verdadeira, mas certa, e livre de toda a aparência de falsidade. Se é que um homem que não deseja a inverdade ou a falsidade pode chegar ali por outro modo diferente.

-Sobre a potencialidade da alma, Santo Agostinho, no ano de 388 d.C.

4 Comentários:

Thiago said...

Uma alternativa interessante a uma teologia racionalista provém dos Capadocios.

A teologia Ortodoxa por exemplo, não tem tanto apego a seguranca racional.

ex:

"This kind of faith (orthodox) offers no security of rational conviction. The only certainty it offers lies in the love of the Other. The only proof of God's existence is his love - demonstrated by our very being, in otherness and communion. We are loved, therefore he exists".

Abracos

Xoyo said...

Hun... A questão aqui não é, necessariamente seguir um critério racional ou amoroso. Mas o "andar pelas próprias pernas" quando confiamos no amor do Outro, é disto que está se falando, não estamos nos apoiando no que os outros disseram, ou em alguma crença subjetiva nossa. Quando temos que ser racionais é isto, não temos nenhuma segurança também, a ilusão da segurança é daqueles que confiam nas autoridades. Pois é isto que a razão mostra, nossa miséria, e nossa necessidade de um redentor, mas ela não prova que este redentor existe, ela apenas aponta para a fé. A razão é a explicação intelectual do risco ao qual temos de nos expor para aceitar o amor.

Abraços

Xoyo said...

Como diz o Kierkegaard: "a paixão do intelecto é o paradoxo."

Thiago said...

Eu tinha pensado no link entre existencialismo e teologia ortodoxo quando estudei um pouco sobre os dois.

O Zizioulas rejeia isso. Ele afirma, mas eu ainda não li muito, que o tipo de dúvida colocada pelo existencialismo é totalmente diferente da teologia negativa que os Capadócios faziam.

A diferenca parece que é a seguinte:
Na existencialismo o ponto de partida é um ser humano que é falho. Depois de descrever o ser humano tentamos descrever Deus (ainda com base no humano).

Parece que a via ortodoxa é diferente. Eles dizem que não dá pra entender a Deus olhando pro homem. Na verdade a unica forma de entender o ser humano é olhando pra Deus.

Mas vou explorar mais o tema, o que fica dificil é que eu não leio grego, daí a terminologia as vezes fica complicada.

Abracos

Thiago